À Mão Livre oferece aulas semanais de crochê e tricô para 20 mulheres no Presídio Regional Feminino de Tubarão
Há quase um ano Isabel Machado Farias, artesã, oficineira e diagramadora,
coordena o projeto À Mão Livre por meio da empresa PontoArroz, que trabalha com peças de crochê e tricô. A ideia foi inspirada em estilistas brasileiras que procuraram mão-de-obra nos presídios. As aulas acontecem no Presídio Regional Feminino de Tubarão todas as sextas-feiras em dois turnos, matutino e vespertino, com duas turmas de 13 alunas cada. As produções vão desde roupa, como cachecóis, gorros e tops, a artigos de casa, como tapetes, almofadas e mantas, entre outros.
Além de ser uma oportunidade de aprendizado e distração paras as detentas, estudos realizados pela Craft Yarn Council nos Estados Unidos desde 1990 apontam benefícios para saúde como terapia para ansiedade, depressão e prevenção do declínio de atividades cerebrais. De acordo com Isabel, o impacto que o crochê causa é muito positivo. "A maioria das pessoas que pega uma peça nas mãos acaba se abrindo e revelando memórias da infância, do período que passava na casa dos avós, em um misto de nostalgia com carinho", conta.
As reeducandas, como a profissional se refere a elas, têm pouca visibilidade na sociedade, o que pode prejudicar sua reintegração ao sair da penitenciária. "Esperamos despertar um olhar mais humano sobre elas e, quem sabe, transformar a prática em ofício, já que é bem difícil encontrar emprego depois que saem de lá", lamenta.
PontaArroz
A PontaArroz, criada há quatro anos em Imbituba, foca no uso de técnicas totalmente artesanais. Tudo começou quando Isabel cansou de trabalhar sozinha, pois, segundo ela, é muito difícil controlar todas as fases de criação, produção, vendas e marketing de uma empresa. "Portanto, minha iniciativa nasceu da necessidade de expandir, do desejo de trabalhar em grupo e de repassar esse conhecimento milenar", explica.
Atualmente as lãs utilizadas são doadas pela Círculo, empresa situada em Gaspar.
Toda ajuda é bem vinda já que o trabalho é voluntário e não há apoio financeiro. "Acredito que temos muito à contribuir por uma sociedade mais justa. Essas mulheres tiveram e ainda têm poucas oportunidades na vida, não apresentam periculosidade e anseiam por trabalhos inclusivos como este, onde elas possam expressar seus talentos e enxergar seus esforços se materializando", reforça.
Rede de Mulheres
O trabalho conta com o apoio da direção do presídio, das agentes carcerárias, da assistência social, da juíza que autorizou a aplicar as aulas, Doutora Liene Francisco Guedes, e do Conselho Comunitário da cidade. "Enxergo todo esse trabalho como uma 'rede de mulheres', onde cada uma usa seu poder e conhecimento pra levar um pouco de esperança àquelas que não tiveram tantas oportunidades, e minha expectativa é conseguir manter esse projeto com a comercialização do que for produzido pelas próprias alunas", ressalta.
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