Piso regional de SC tem aumento maior que o salário mínimo federal e atende categorias não organizadas
Divulgação O governador Jorginho Mello (PL) sancionou o reajuste do salário mínimo regional de Santa Catarina. O decreto, publicado na edição do DOE (Diário Oficial do Estado) desta sexta-feira (31), atinge as quatro faixas salariais. As mudanças passam a valer, retroativamente, a partir de janeiro de 2023.
A mudança foi aprovada sem alterações: o projeto tramitou na Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) e foi sancionada conforme o acordado entre entidades representativas dos empregadores e dos trabalhadores.
A negociação entre as partes está prevista na Lei Complementar 459/2009, que instituiu o salário mínimo regional.
Veja o que muda:
Mínimo regional
O piso regional é como um “salário mínimo” a nível estadual – estabelecido por meio de acordo entre os sindicatos patronal e laboral e aprovado pelo Executivo. Os valores praticados são entre 17% e 34% maiores que o salário mínimo nacional, segundo a Fecesc (Federação dos Trabalhadores no Comércio no Estado de Santa Catarina).
A Constituição Federal permite que os Estados determinem salários mínimos a nível estadual. Hoje, pelo menos cinco Estados – dentre eles Santa Catarina – adotam a política, segundo Ivo Castanheira, coordenador sindical do Dieese/SC (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
O piso regional atende trabalhadores inorganizados: os que não contam com representação sindical ou convenção coletiva de trabalho que assegure reajustes periódicos. Empregadas domésticas, trabalhadores rurais ou até comerciários, em certas cidades, se enquadram na categoria.
“Entre os cinco Estados que definem salários mínimos regionais há aqueles onde não há um trabalho tão efetivo como há em Santa Catarina”, afirma Castanheira. Este é o 13º reajuste desde que o piso foi aprovado em 2009. “Para criarmos o piso em Santa Catarina foi uma luta grande. Na época, fizemos um abaixo-assinado que recebeu 50 mil assinaturas. Foi um projeto de iniciativa popular”, lembra o coordenador.