Falta de atendimento nas agências e acúmulo de processos também estão em pauta
Divulgação Servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão em greve por tempo indeterminado desde o dia 23 de março. Na pauta, está a reposição salarial acumulada nos últimos três anos, abertura de concurso público para recomposição do efetivo, além de reivindicação por melhores condições de trabalho.
Rita de Cássia Farias é assistente social da agência do INSS em Sombrio e representante da base do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência do Serviço Público Federal no Estado de Santa Catarina (Sindprevs-SC) na região do Extremo Sul Catarinense. Ela explica que desde 2015 não há correção do salário e a defasagem no período alcança cerca de 50%. Porém, os trabalhadores pedem reposição de 19,99% correspondente ao período dos últimos três anos.
Reprodução: Sindprevs-SC
“A nossa greve está desde o dia 23 de março. Teve uma greve dos servidores em 2015 e nos acordos de greve, desde lá, o que foi feito foi a reposição das perdas salariais naquele momento que foram efetivadas em 2016 e 17. Desde 2015 não há correção do salário, estamos com defasagem em torno de 50%. Não estamos pedindo aumento, estamos pedindo apenas a reposição”, explica.
Outro problema enfrentado pelos servidores está no efetivo. De acordo com Rita, não houve recomposição para servidores afastados ou aposentados. E isto gera acúmulo de processos e afastamentos por problemas médicos. “De 2019 para cá houve perda acentuada de servidores. Em torno de 20 mil no país inteiro. E com o INSS Digital, as portas fecharam para a população, que não tem servidores para atender nas agências e ficou à mercê. Não somos contra o INSS Digital, mas não pode ser a única alternativa para a população devido a dificuldades que muitos têm de acessar por meio digital”, argumenta a sindicalista.
De acordo com dados do Sindprevs-SC, há cerca de três milhões de processos esperando na fila virtual do INSS Digital e mais de um milhão de segurados aguardando na fila da perícia médica. Isto em função da falta de atendimentos nas agências e redução do efetivo. “Não há servidores suficientes e estão adoecendo. Houve um aumento crescente de servidores afastados. Para suprir a falta de servidores, o INSS está implantando sistemas. Em alguns casos a análise está sendo automática, pelo próprio sistema. É a indicada? Isso não traz prejuízo para a análise?”, questiona.
Na pauta dos grevistas também está a falta de investimento para que servidores em trabalho remoto possam adquirir equipamentos, além de supostas metas abusivas estipuladas pelo INSS. As negociações acontecem em Brasília e os resultados são deliberados em plenário e votados em assembleias regionais. Segundo o sindicato, ainda não é possível contabilizar o número de servidores em greve em função do trabalho remoto. Para acessar o INSS digital, clique aqui.
Com informações do Engeplus