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Sul tem maior fila de espera por leitos de UTI de Covid-19 no Estado

Sul tem maior fila de espera por leitos de UTI de Covid-19 no Estado

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O Sul é a região de Santa Catarina que possui mais pessoas esperando por uma vaga de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para o tratamento de Covid-19. De acordo com governo do Estado, na quinta-feira, 17 pessoas esperam por um leito de UTI SUS na região.

Em Criciúma, são cinco pessoas esperando leitos de UTI Covid SUS. Quatro pessoas estão no Hospital São José e outra no Hospital Retaguarda Rio Maina. No Hospital Nossa Senhora Conceição, em Tubarão, são cinco pessoas na espera. Outras três pessoas estão na fila de espera no Hospital Regional de Araranguá. As outras quatro pessoas estão em Orleans, Braço do Norte, Treze de Maio e Imbituba: uma em cada hospital do município.

Ao todo, 56 pessoas aguardam na fila de espera por um leito de UTI SUS em todo o Estado e duas aguardam por um leito clínico. A segunda região com mais registros de pessoas no aguardo por uma vaga de UTI SUS é o meio-oeste com 16 pessoas. Na quarta-feira, o número total era de 60 pessoas esperando por leito de UTI SUS e cinco na expectativa por um leito de clínica.

Aumento é de grande expressão

O aumento é considerado expressivo: em primeiro de junho, o número à espera de um leito era de 33 pessoas. Na região Sul do Estado, esse número era de 11 pessoas. Desde quando os casos voltaram a crescer, os leitos de UTI SUS têm permanecido com lotação completa na região Sul de Santa Catarina. Atualmente, a ocupação dos 126 leitos está esgotada.

São 45 leitos de UTI Covid SUS em Criciúma (35 no Hospital São José e 10 no Hospital de Retaguarda Rio Maina), nove no Hospital São Donato de Içara, 38 no Hospital Regional de Araranguá, 14 no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão, 10 no Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos, em Laguna, e 10 no Hospital São Camilo, em Imbituba.

O Governo de Criciúma ainda espera pela chegada de 10 respiradores para colocar em atividade mais 10 leitos de UTI Covid SUS no Hospital de Retaguarda Rio Maina. “Assim que chegarem os respiradores, que até hoje não vieram, a gente coloca em funcionamento. Depende do Ministério da Saúde e do Governo do Estado”, diz o Secretário de Saúde de Criciúma, Acélio Casagrande.

A solicitação dos aparelhos foi feita por diversas vezes, mas os respiradores seguem sem chegar. “Não há previsão de chegada. Temos um contrato para fazer gestão de 20 leitos, mas desde que tenha os respiradores. Outro agravante é que todos os hospitais estão com dificuldade de recursos humanos e insumos”, pontua.

Espera por repasse de verba em Araranguá

Desde o início da habilitação dos leitos de UTI Covid, no Hospital Regional de Araranguá, o governo do Estado ainda não repassou valores para auxiliar o custeio das operações. O valor de R$ 13,8 milhões, referentes às portarias de 2021, deve ser repassado até essa sexta-feira. Entretanto, o montante é considerado pouco, pela gestão do hospital, para seguir com as operações. “Esses 13 milhões que vão chegar, não é um monte de dinheiro. A gente tem um passivo muito grande, um déficit imenso. Esse valor chega para ajudar a gente a tocar a operação por pouco tempo. Poucos dias”, explica o diretor Geral do Hospital Regional de Araranguá (HRA), Rafael Cassiano Bonfada.

A administração do local aguarda pelos pagamentos das portarias referentes à 2020. “Estamos demonstrando também, há alguns meses, para o Estado, que o valor de custeio – R$ 4,2 milhões – não paga mais o tamanho da despesa do hospital. Na época, esse valor de pouco mais de quatro milhões de reais era para o contrato antigo. Só que agora, a gente tem contrato antigo em andamento – ele segue vigente – e ainda tem mais 40 leitos de UTI Covid. A gente quer o reajuste contratual, porque tem uma cláusula que diz que, a cada 12 meses, o contrato deve receber reajuste. E a gente repassa para a folha de pagamento, honorários médicos e fornecedores”, explica Rafael.

O valor necessário para a manutenção mensal do hospital é de R$ 6,5 milhões. É esse p montante que a administração do HRA está em busca. “Estamos pleiteando também o valor do custeio que pague a despesa mensal dos 40 leitos de UTI Covid – que estão disponíveis e com um percentual de ocupação bem alto – acima de 90% – nos últimos 100 dias. Essa despesa, hoje, chega a quase dois milhões e meio de reais por mês a mais. A gente não tinha esse custo. Queremos que o Estado reconheça essa despesa mensal e aditive esse valor no contrato atual. A gente quer os R$ 4,2 milhões mais os R$ 2,5 milhões para compor os pouco mais de R$ 6,5 milhões que é o que custa o serviço, na prática operacional, mensalmente”, explica o diretor.

Rafael adverte que a operação dos leitos de UTI Covid do HRA está praticamente inviabilizada. “A gente acaba tendo que renegociar com fornecedor, impostos e vai virando uma bola de neve. Com a ocupação que está hoje, em leitos de UTI, e todos os serviços que já tínhamos, o hospital compra em torno de 2 milhões de reais só em material de medicamento. Antes, esse valor era de 600 mil reais. Os insumos e o consumo aumentaram muito. O custo do medicamento para Covid é altíssimo. É um absurdo o que o mercado está fazendo em termos de valores”, comenta.

Esse valor é necessário ao menos enquanto houver a pandemia. “Se depois os leitos de UTI Covid forem desmobilizados, a gente pode reduzir, mas, hoje, dentro da realidade que a gente tem, essa é a despesa fixa. Precisamos de uma resolução, pois estamos com essa despesa há mais de um ano e, na verdade, precisamos desse valor para continuar atendendo”, finaliza.

Novos leitos serão abertos em Sombrio

Após uma obra de ampliação estrutural, a UTI SUS do Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, receberá mais 10 leitos na primeira quinzena de julho. “Estamos finalizando a obra com os tanques de oxigênio e aguardando chegar equipamentos de uma licitação que a prefeitura comprará para a gente”, explica a enfermeira e diretora do hospital, Mariele Dassoler. “Eu acredito que a inauguração aconteça no início de julho. Depende dos equipamentos licitados”, finaliza Mariele.

Com informações do TNSul