Principal GERAL Nota de R$ 200: “é honra pesquisar o lobo-guará”, diz o médico veterinário Joares May
Nota de R$ 200: “é honra pesquisar o lobo-guará”, diz o médico veterinário Joares May

Nota de R$ 200: “é honra pesquisar o lobo-guará”, diz o médico veterinário Joares May

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Os brasileiros vão contar com uma nova cédula de R$ 200, a partir do próximo mês. A criação de mais essa nota foi autorizada nesta quarta-feira (29), pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). De acordo com o Banco Central, as novas cédulas estão em “fase final de testes” e devem entrar em circulação no fim de agosto.

As notas do Real sempre são estampadas pela esfinge da República e por um animal da fauna brasileira. Desta vez, será o lobo-guará, que foi apontado pela população, em pesquisa realizada pelo BC em 2002, como um dos animais ameaçados de extinção que deveriam ser representados pela moeda.

O primeiro lugar foi a tartaruga marinha, utilizada na cédula de R$ 2. Depois foi o mico-leão-dourado, na cédula de R$ 20 e, agora, o lobo-guará. Para Joares May, médico veterinário de fauna selvagem, a homenagem é importante. “É a maior espécie de canídeo da América do Sul. Um animal com quase um metro de altura”, descreve.

Segundo Joares, o animal costuma ser magro, “geralmente os machos pesam 30 kg”, revela. Ainda nesta semana, ele conta que na região onde está trabalhando, no Cerrado, capturaram uma fêmea, grávida. “Também encontraram cinco filhotes que foram enviados para o zoológico de Brasília e, agora, dois desses vão voltar para cá”, conta.

Para o veterinário é uma honra trabalhar com o lobo-guará. Ele pesquisa a espécie desde 2004 – já são 16 anos de estudo.

História
Em 2001, foi lançada a nota de R$ 2. No ano seguinte, entrou em cena a de R$ 20 – que, até agora, era último lançamento no país. Desde então, houve a aposentadoria da nota de R$ 1, em 2005. Em comum, os lançamentos de cédulas têm um mesmo objetivo: diminuir as transações feitas com dinheiro vivo, economizando com impressão de papel moeda.

Para o lançamento das notas de R$ 2 e R$ 20, o Banco Central havia realizado estudo que indicava redução de mais de 30% no uso de cédulas com os novos valores. A lógica é simples: sem a nota de R$ 20, eram necessárias quatro notas de R$ 10 para chegar a R$ 40.

A nota de R$ 200 aparece em contexto parecido. Neste mês, o governo teve um gasto extra de R$ 437 milhões para impressão de cédulas – isso, com o objetivo de imprimir R$ 100 bilhões adicionais em dinheiro de papel. De acordo com a área econômica do governo, a crise do novo coronavírus foi um dos motivos para o aumento da procura. A pandemia levou as pessoas a “entesourarem” recursos em casa, ou seja, manter reserva em cédulas.

Outro motivo apontado é a necessidade de fazer frente ao pagamento do auxílio emergencial – estimado em mais de R$ 160 bilhões, considerando as cinco parcelas aprovadas. Boa parte dos beneficiários, sobretudo os de menor renda, preferiu sacar o benefício em espécie. Apenas segundo números da Caixa Econômica Federal, mais de 20 milhões de saques foram feitos até essa quarta-feira.