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Erros fazem SC ‘perder’ mais de 90 mil doses aplicadas da vacina contra gripe

Erros fazem SC ‘perder’ mais de 90 mil doses aplicadas da vacina contra gripe

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A uma semana do fim da Campanha Nacional de vacinação contra a gripe, os números exigem atenção. Segundo dados do Ministério da Saúde, até está quinta-feira (1º), apenas 44% do público-alvo tinham sido vacinado em Santa Catarina. Para piorar, em apenas um dia, mais de 90 mil vacinados ‘sumiram’ dos números oficiais. Um levantamento feito pelo Diário Catarinense encontrou essas inconsistências.

De quarta (30) a quinta-feira (1º), foram ‘retiradas’ 90.053 doses do total aplicado no Estado, caindo de 1.327.498 para 1.248.736. As explicações apontam qur isso pode ter sido causado por erros durante o preenchimento dos dados.

Um dos casos mais graves foi o que ocorreu em Balneário Piçarras, no Litoral Norte. A cidade, que tem pouco mais de 23 mil habitantes segundo a estimativa do IBGE, contava com um total de 93.325 vacinas aplicadas até as 20h desta quarta-feira – quase quatro vezes mais que a sua população e 10 vezes mais que o público apto para receber o imunizante no município (8.354), que previne a H1N1.

Plataforma do SUS mostra cidade de SC com mais de 93 mil doses aplicadas, três vezes mas que a população
Plataforma do SUS mostra cidade de SC com mais de 93 mil doses aplicadas, três vezes mas que a população(Foto: SUS/Reprodução)

Questionada, a prefeitura informou que o número acima do esperado ocorreu devido a um erro de digitação. Depois de avisada pela reportagem, a quantidade foi corrigida pela Vigilância Epidemiológica na manhã desta quinta-feira. Agora, a cidade conta com 5.365 doses aplicadas, o que corresponde a 61,40% do público-alvo – 94% a menos do que o número anterior. 

Segundo a Prefeitura, número foi corrigido após a vigilância identificar um erro de digitação
Segundo a Prefeitura, número foi corrigido após a vigilância identificar um erro de digitação(Foto: SUS/Reprodução)

Mas além das 87.960 doses a menos em Balneário Piçarras, outras cinco cidades também podem ter sido responsáveis pelo ‘sumiço’ nos dados estaduais. Os números foram analisados pelo DC na quarta e quinta-feira. São elas: 

Irati, no Oeste: passou de 572 para 539, uma redução de 33 doses. Segundo a vacinadora e auxiliar de enfermangem, responsável pela sala de vacina, Cleusa Bortoluz Fortuna, a redução pode ter ocorrido por um erro de contagem. 

Paraíso, no Oeste: passou de 1.110 para 1.106, uma redução de 4 doses. A prefeitura não retornou à reportagem até a publicação.

Cocal do Sul, no Sul: passou de 4.003 para 3.935, uma redução de 68 doses. A prefeitura não retornou à reportagem até a publicação. 

Campos Novos, no Meio-Oeste: passou de 6.401 para 6.333, uma redução de 68 doses. Segundo a prefeitura, a diferença ocorreu após uma checagem junto aos dados das clínicas particulares do município, que também realizam a aplicação da vacina. O município afirma que alguns números estavam duplicados, além de que também haviam sido lançados de forma equivocada na plataforma.

Palhoça, na Grande Florianópolis: passou de 34.070 para 32.150, uma redução de 1.960 doses. De acordo com a prefeitura, o motivo foi um erro de digitação das informações no sistema, que já foi corrigido.

Mesmo sendo dos municípios a responsabilidade pela atualização do número de aplicações, o DC também questionou a Diretoria de Vigilância Epideimiológica (Dive) se há um acompanhamento dessas inconsistências. 

A diretoria informou que orienta as prefeituras a preencherem corretamente as doses no sistema e, em casos de erros, quando identificados, o alerta é acionado. A pasta reitera que a responsabilidade é inteiramente dos municípios. 

Baixa vacinação pode afetar a estrutura dos hospitais, diz especialista 

Desde que a campanha de vacinação contra a gripe foi lançada, a meta era de que, ao menos, 90% da população dos grupos prioritários fosse vacinada até o dia 9 de julho. Fazem parte do grupo crianças de 6 meses a menores de 6 anos; gestantes e puérpetas; povos índigenas; trabalhadores da saúde; idosos com mais de 60 anos; professores; pessoas com comorbidades; forças de segurança e salvamento, e forças armadas; caminhoneiros; trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso; trabalhadores portuários; funcionários do sistema prisional; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas e população privada de liberdade.

Porém, ao menos 63 municípios catarinenses não vacinaram nem a metade da população, segundo os dados do Ministério da Saúde. A pior situação está em São Pedro da Alcântara, que segundo o painel, aparece com apenas 4,3% da meta alcançada. Em contrapartida, a cidade de Celso Ramos, na Serra, está prestes a completar a imunização: até está quinta, 98,7% das pessoas do grupo prioritário tinham sido vacinadas.

A baixa procura pela vacina, que é gratuita para quem faz parte das prioridades, pode impactar diretamente na estrutura dos hospitais. O imunizante protege contra três subtipos do vírus Influenza: H1N1, H3N2 e influenza B e tem como objetivo reduzir os sintomas, evitando a evolução para casos graves e possíveis óbitos. 

Ou seja, se não há vacinação, há chances de que haja a lotação dos hospitais, que já vivem a pandemia da Covid-19, com casos graves de gripe. 

— Se entendeu que, em 2009, a H1N1 não virou uma situação como a da Covid-19 devido a vacinação. Então, se esse grupo não se vacinar, há, sim, o risco de sobrecarregar o sistema — pontua o professor de microbiologia da Univille, Tarcisio Crocomo. 

De acordo com os dados da Secretaria de Estado da Saúde, a ocupação dos leitos de UTI SUS está em 89,92%, com apenas 185 vagas disponpiveis. Se levar em conta apenas aqueles destinados para o tratamento da Covid-19, o percentual está em 88,25%.

A Dive informou que deve se reunir com o Ministério da Saúde ainda nesta semana para discutir a situação da vacinação contra a gripe e a necessidade de se prorrogar a campanha.

Com informações do NSCTotal