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Alta de casos da variante Delta em SC acende alerta no combate à pandemia

Alta de casos da variante Delta em SC acende alerta no combate à pandemia

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Em apenas uma semana, Santa Catarina viu saltar o número de casos confirmados da variante Delta. Nesta terça-feira (10), a Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Superintendência de Vigilância em Saúde, confirmou mais 25 casos, chegando ao total de 36 – na sexta-feira (6), eram nove. Ao menos 20 municípios já têm registro da variante. 

Dos confirmados, quatro são considerados autóctones (de transmissão dentro do Estado), enquanto sete são importados (de transmissão fora do estado). Já os demais casos ainda estão sob investigação, a fim de identificar o local onde ocorreu a infecção. 

O Meio-Oeste catarinense, até esta terça-feira, era a única região que não havia registrado casos da variante. Em contrapartida, o Litoral Norte é o que tem o maior número, com 12 confirmados – seis deles, todos importados, estão em São Francisco do Sul. Há, ainda, dois casos em que também se investiga a cidade de origem. 

Até o momento, apenas uma pessoa infectada com a variante morreu em Santa Catarina. A vítima é um homem, de 55 anos, que evoluiu de forma grave no dia 9 de julho.

Divulgação

Para ajudar na identificação dos casos, o Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina (Lacen/SC) implantou um protocolo de triagem de amostras e secreções respiratórios de casos confirmados de coronavírus, a fim de identificar possíveis mutações. Depois de coletada a amostra, é feito o teste para saber se há índicios das mutações alfa, beta ou gama. 

Caso elas não sejam detectadas, a amostra recebe prioridade para realização do sequenciamento, já que isso pode ser um indicativo de que ela seja da variante Delta. 

Para especialista, presença da variante pode impactar atual cenário da pandemia 

A confirmação da variante Delta em solo catarinense ocorre em um momento em que Santa Catarina vinha registrando queda no número de casos e mortes por Covid-19. Nesta terça-feira (10), 11.616 continuvam ativos, ou seja, transmitindo o vírus, em ao menos 272 cidades catarinenses – há um mês, eram mais de 18 mil. 

Em relação as mortes, julho teve o menor número de vítimas desde janeiro, com 1.057, segundo dados do Painel Coronavírus do NSC Total. 

Porém, esse cenário pode sofrer impactos com a chegada da variante no Estado, como pontua a infectologista Carolina Ponzi. 

—É possível sim, especialmente nas pessoas não vacinadas, com vacinação incompleta ou que por algum motivo próprio não conseguiram responder de maneira adequada à vacina — pontua. 

Por conta disso, ela salienta sobre a importância para que as medidas de prevenção continuem sendo tomadas a fim de evitar uma “explosão” da variante no Estado. 

—As medidas de prevenção continuam sendo as mesmas, mas precisam ser intensificadas nos grupos ainda vulneráveis à doença: uso de mascara, distanciamento social, higiene de mãos e aceleração da imunização completa de pelo menos 70% da população —, explica. 

O mesmo caminho também é apontado pelo superintendente de Vigilância em Saúde da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive/SC), Eduardo Macário. Segundo ele, a variante é tão transmissível quanto uma gripe comum e, por isso, é necessário reforçar os cuidados. 

—Não existe fórmula mágica. O que existe são formas simples e concretas de se bloquear a transmissão, como o uso de máscaras, distanciamento, ambientes aerajados e evitar aglomerações—, pontua. 

Rio de Janeiro concentra 36,14% dos casos da variante no país

De acordo com o Ministério da Saúde, até terça-feira (10), 570 casos da variante Delta haviam sido confirmados no Brasil, sendo que 36 deles evoluíram à óbito. O Estado que lidera o ranking é o Rio de Janeiro, com 206 – 36,14% do número total. 

Entre os Estados do Sul, quem aparece em primeiro lugar é o Rio Grande do Sul, onde foram 64 casos detectados. Já no Paraná, são 54, segundo o Ministério. A variante também foi identificada no Ceára (4), Distrito Federal (75), Espírito Santo (7), Goiás (10), Maranhão (7), Minas Gerais (4), Pará (3), Pernambuco (5) e São Paulo (96).

Em nota, o Ministério alegou que tem reforçado a orientação para que estados e municípios façam o sequenciamento genético, a notificação imediata, o rastreamento e isolamento dos casos e contatos, além de outras ações de prevenção.

“A pasta também ressalta que o avanço da vacinação é essencial para reduzir o caráter pandêmico da Covid-19. Além disso, para evitar a transmissão do vírus, as medidas não farmacológicas são fundamentais, como uso de máscara e etiqueta respiratória”, finaliza a nota. 

O que é a variante Delta? 

A variante Delta é da linhagem viral B.1.617, que apareceu na Índia em outubro de 2020. Em maio de 2021, após ser associada ao agravamento da pandemia, a cepa foi declarada como variante de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Conforme um estudo divulgado em julho por pesquisadores ligados a OMS e ao Imperial College de Londres, a variante Delta é cerca de 97% mais transmissível do que o coronavírus original identificado na China, sendo assim ainda mais preocupante do que as variantes surgidas no Reino Unido (Alfa), África do Sul (Beta) e Brasil (Gama).

Com informações do NSCTotal