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À espera da neve, São Joaquim deve receber 80 mil turistas neste inverno

À espera da neve, São Joaquim deve receber 80 mil turistas neste inverno

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São Joaquim, na Serra, espera receber 80 mil turistas neste inverno. A estimativa é da Secretaria de Turismo Indústria e Comércio do município. Para uma cidade com cerca de 30 mil habitantes, o incremento econômico é vital. Além dos turistas de outras cidades catarinenses e dos Estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, a “novidade” é a adesão dos visitantes do Nordeste.

A chegada do frio a Santa Catarina, nesta semana, abarrotou a rede hoteleira de São Joaquim e das cidades vizinhas – Urupema, Urubici e Bom Jardim da Serra. O cenário, segundo a secretária de Turismo, Adriana Cechinel, é o mesmo desde maio praticamente.

“Em termos de hospedagem, quase não tem mais nada. Só quando alguém desiste de última hora. Estamos com lotação máxima também nos dias de semana. Nesse inverno, como tivemos duas frentes frias durante a semana, a lotação foi maior do que o normal”, conta Cechinel.

As opções de lazer são inúmeras na cidade e vão muito além de uma viagem para ver neve. O público que mais aproveita São Joaquim é quem gosta de vinho. São visitantes que chegam em família ou em grupos para conhecer as vinícolas da cidade e degustar vinhos.

“Temos 16 vinícolas aqui e sete fazem recepção. Durante a vindima [período de colheita da uva], o pessoal pode participar e ver a vinificação [transformação da uva em vinho]. O nosso maior fluxo é o pessoal que gosta de vinho. É o ano inteiro”, ressalta Cechinel.

Jerusa Gonçalves, 41 anos, é dentista de Rosário do Sul, no Rio Grande do Sul. Nesta terça (27), ela esteve, com o marido e as duas filhas, pela primeira vez em São Joaquim. A família estava no Litoral e, com as previsões de frio, esticou a viagem e subiu a Serra.

“Adoramos a cidade, muito acolhedora e nos surpreendemos com os vinhos e os atrativos. Não vamos ficar mais, porque não tínhamos reserva, mas voltaremos em outra oportunidade”, registra a gaúcha, que volta nesta quarta para casa.

Economia movimentada

No inverno, os turistas são atraídos pelas árvores congeladas na praça – o sincelo – , as geadas. “Esse público é mais família, até com criança para conhecer neve”, diz a secretária. E a cidade está indo além para atrair também os jovens. A aposta é nos parques de aventuras, com tirolesa, escalada, arvorismo e trilhas.

Na visão de Cechinel, o município inteiro ganha com o turismo do frio. “Todos querem receber bem o turista durante o inverno, quando temos esse boom”, relata a secretária. E o lado social, segundo ela, também se mobiliza, com a preparação de espaços para quem precisa de abrigo e campanhas para arrecadação e doação de cobertores e agasalhos. A área da saúde, por sua vez, fica em alerta para o risco de hipotermia.

“Nós, joaquinenses, estamos sempre de braços abertos para receber o nosso turista com todo calor humano, preparado para recebê-los com todo cuidado, mas a gente gostaria que eles realmente viessem de forma planejada, que tenham suas reservas, garantam o conforto e queiram sempre voltar”, ressalva a secretária.

Frio aquece turismo, mas preocupa agricultores e pessoas em situação de rua

Em muitas cidades de Santa Catarina, o frio é sinônimo de turismo e arrecadação, mas em alguns casos, ele acende o alerta. O engenheiro agrônomo Ronaldo Coutinho, 25 anos de serviços prestados aos anúncios de meteorologia em Santa Catarina e outros Estados da região Sul, está bastante receoso. Por causa do frio previsto para os próximos dias, Coutinho está preocupado, em especial, com quem depende da agricultura.

“O dia mais problemático é sexta-feira (30) em função da abrangência da área de temperatura perto ou abaixo de zero e vai pegar muito a agricultura do nosso Estado, por exemplo, os produtores de banana, o pessoal do cinturão verde da Capital: Antônio Carlos, Biguaçu, São José e Palhoça, onde vai ter geada quarta, quinta e no amanhecer de sexta”, pondera Coutinho.

O especialista explica que o auge do frio será na sexta-feira, com mínimas abaixo de 0ºC do Uruguai, até o Sul de Minas Gerais. “São raras essas ondas de frio muito fortes e amplas”, explica Coutinho.

A previsão é que a condição de frio, que começou terça de forma mais intensa em Santa Catarina, permaneça até sábado (31). O Estado enfrenta, primeiramente, uma frente fria, que possibilita a ocorrência de neve, principalmente nesta quarta à noite. Depois, Santa Catarina será atingida por uma massa polar e, com isso, quinta e sexta-feira devem ter dias ainda mais gelados.

O meteorologista Piter Scheuer registra que está mantida a condição de neve e chuva congelada nas áreas altas de Santa Catarina, totalizando 12 cidades. Ele acredita na maior probabilidade de neve na noite de quarta, madrugada e amanhecer de quinta. “Essa é a janela, depois, não existe mais chance”, crava o meteorologista.

Geada negra também pode ocorrer

Além das temperaturas próximas de 0C°, o meteorologista Piter Scheuer explica que também existe chance de geada negra na quarta, na quinta e na sexta-feira. O fenômeno, que tende a ocorrer no Litoral, pode queimar culturas hortaliças, plantas ornamentais e frutas tropicais.

“É diferente da geada branca. Você sai de casa 3h da manhã, vai até a horta com uma temperatura baixa, cerca de 4Cº e vento, por exemplo. Pouco tempo depois, por volta das 6h, a cultura estará negra, porque foi queimada com o evento. Na meteorologia, chamamos isso de geada negra”, explica Scheuer.

Assistência a quem precisa

A Prefeitura de Florianópolis definiu na terça-feira (27) os detalhes para iniciar a força-tarefa que visa acolher, em abrigos públicos, as pessoas em situação de rua em função do frio. O prefeito Gean Loureiro (DEM) disse que o município fica em alerta até sábado.

Equipes de sensibilização, que convidam as pessoas a deixar as ruas, foram reforçadas e vão trabalhar em parceria com a Defesa Civil, Guarda Municipal e Polícia Militar. Será oferecido local com cama, kit higiene, refeições, equipe de saúde e projetos de reinserção social. Quem tem animal de estimação pode trazer o bicho.

O município também pede que a população, caso encontre alguém na rua, ligue para 153, 193 ou 190. Além da Passarela Nego Quirido, que normalmente acolhe pessoas em situação de rua, a prefeitura abriu outros abrigos e vai utilizar seu convênio com o hotel para o acolhimento.

Com informações do site ND Mais