Principal ESPORTES Aliando o ciclismo ao lazer, à boa saúde e à competição
Aliando o ciclismo ao lazer, à boa saúde e à competição

Aliando o ciclismo ao lazer, à boa saúde e à competição

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A tubaronense Paula Silvano, 36 anos, tem chamado atenção dos praticantes de ciclismo em nível estadual e até nacional nos últimos tempos. Com a rotina dividida entre esporte, família e trabalho, competir forte, mesmo contra atletas profissionais, vem sendo uma constante na vida da esportista da Cidade Azul.

Dos sete dias da semana, Paula treina em seis deles. Mas transformar um hábito em oportunidade de competição tem suas dificuldades. “Foi uma briga para eu conseguir competir por Tubarão”, conta. “Tudo depende da questão de apoio. O ciclismo é caro para competir, então você precisa ter bastante ajuda. Nossa cidade peca um pouco nisso”, lamenta a atleta. Mesmo assim, a tubaronense tem “incomodado”. Em maio, por exemplo, participou da quarta etapa do Campeonato Catarinense de ciclismo, na cidade de São João Batista, e quase venceu. “Eu liderei 90% da prova, mas meu pelotão sofreu um acidente perto da linha de chegada. Me machuquei bastante. Mesmo assim, terminei apenas seis segundos atrás da vencedora”, relembra. O estadual da categoria tem 14 etapas. “Estou bem feliz, bem confiante. Essa última prova me colocou junto com a elite. Estou competindo com as melhores do Estado”, diz Paula. A meta da atleta é terminar o ano entre as três melhores de Santa Catarina e entre as cinco do Brasil. “Dá para conseguir mais, mas tudo depende de apoio”, salienta.

De fato a dificuldade em conseguir ajuda causa frustração na ciclista de Tubarão. Embora conte com vários patrocinadores da cidade, competir pelo Estado e Brasil custa mais do que Paula Silvano pode alcançar. “Desde o ano passado eu venho brigando para conseguir apoio. A gente não fechou nenhum patrocínio para correr todas as provas. O que eu preciso é de um pouco mais de apoio para ir em provas mais longas. A gente vai, explica, fala que tem dedução de imposto para quem ajuda, mas mesmo assim é difícil”, expõe. Paula é a terceira colocada no ranking do Campeonato Catarinense e sétima no Brasileiro. “Eu posso até subir para uma quinta colocação já na próxima etapa”, fala, otimista. “O problema é que depois tem prova em Minas Gerais e na Bahia, aí não consigo fazer. Talvez eu poderia até melhorar minha classificação. Com pouco incentivo a gente já faz milagre”, ressalta a ciclista. Apesar disso, a Volta de Santa Catarina, em setembro, conta para o Campeonato Brasileiro, e isso pode ajudar a atleta de Tubarão. Além disso, Paula vai representar a Cidade Azul nos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC). “Aí não tem categorias. Vou correr com meninas de 18, 19 e 20 anos, tudo misturado”, alerta.

 

Família envolvida com o ciclismo

Paula Silvano treina seis dias por semana. E se engana quem pensa que ela é a única a praticar o esporte na família. Pelo contrário. Quase todos os parentes atuam juntos. O pai da atleta, por exemplo, ocupa a segunda colocação no Campeonato Catarinense e Brasileiro em 2018. Ele tem 60 anos. “Minha família toda pedala. Minha mãe tem 61 e pratica ciclismo. Meu marido e meu irmão também pedalam. É uma família inteira no ciclismo”, explica. A palavra chave disso tudo: união. “O ciclismo tem capacidade de unir as pessoas”, diz, orgulhosa.

 

A magia que existe por trás do esporte

Os benefícios da auto-estima e da saúde não são os únicos para quem pratica ciclismo. O esporte tem algo “mágico” por trás, conforme Paula Silvano. “O ciclista é feliz, alegre, sem depressão”, conta. “Ele faz um amigo de infância em dois segundos”, garante. À reportagem, a atleta faz um desafio: “Sabe a imagem que você aprendeu quando começou a andar de bicicleta na infância? Ela volta igualzinha quando você pedala. Você resgata amizade, parceria e companheirismo. Eu pratico outros esportes, mas o ciclismo é diferente”, conclui a tubaronense de 36 anos.