Principal ESPORTES Basquete: quatro décadas de muitas histórias na Cidade Azul
Basquete: quatro décadas de muitas histórias na Cidade Azul

Basquete: quatro décadas de muitas histórias na Cidade Azul

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O basquete é uma das modalidades que mais elevou o nome de Tubarão para o cenário estadual e nacional. Seja pelos troféus ou pela revelação de jogadores, as pessoas responsáveis por esse panorama já receberam vários tipos de homenagens pelos feitos alcançados. Um deles foi o técnico campeão catarinense de basquete em 1979 e 1981, pelo Esporte Clube Ferroviário, de Oficinas, na Cidade Azul.

Luiz Ernani Buerger ocupa atualmente o cargo de presidente da Fundação Municipal de Esportes de Tubarão. No ano passado, por todos os serviços prestados em prol do esporte da Cidade Azul, recebeu a Comenda do Mérito Esportivo, uma das principais honrarias de Santa Catarina. Ela existe desde 1994 e a escolha dos homenageados é feita por meio de indicação dos integrantes do conselho. Após a indicação do nome, o conselheiro apresenta a justificativa da escolha. O nome de Luiz Ernani foi sugerido pelo tubaronense Osvaldo Juncklaus. “Não esperava uma homenagem como essa, fiquei muito feliz, pois é o reconhecimento de tantos anos de trabalho no esporte de Tubarão. Divido essa honraria com a minha família, com todos os meus atletas e com todos dessa cidade maravilhosa que me acolheu há mais de 40 anos, onde fiz minha vida e toda vida esportiva”, comenta o comandante da FME.

Luiz Ernani Buerger tem 62 anos e nasceu em Blumenau. Veio para Tubarão em 1976, aos 21 anos e já formado em Educação Física, para a disputa dos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC) como atleta de vôlei. No ano seguinte também passou a atuar como atleta do basquete. Mais tarde virou técnico. Ernani lecionou em várias escolas em Capivari de Baixo, Laguna e Tubarão.

 

De Curitiba para Tubarão, até hoje

Ernani não imaginava que a década de 70 seria responsável por fazer sua vida mudar totalmente. Ainda atleta de vôlei na principal cidade do Paraná, viu Tubarão surgir como opção de carreira – e de vida mais tarde. “Eu terminei uma partida em Curitiba, aí duas pessoas vieram falar comigo. Uma era o professor Vicente Schlickmann e a outra o Tadeu Ghizzo Correa. Falaram que eram de Tubarão e disseram que os Jogos Abertos de Santa Catarina seriam disputados na cidade em 1976. Acabei vindo para cá e ficando até hoje”, relembra o atual secretário de Esportes da prefeitura.

 

Nas quadras, sai o vôlei e entra o basquete

Embora Luiz Ernani tenha vindo para Tubarão jogar vôlei, uma proposta recebida em 1977 mudaria para sempre a vida do esportista. No final daquela década, seu José Warmuth Teixeira fez um convite, que foi prontamente aceito. “Ele me perguntou se eu queria treinar uma equipe de basquete no Clube de Campo. Eu aceitei, nós ficamos algum tempo ali e depois fomos para o ginásio Otto Feuerschuette. Disputamos várias competições pelo Esporte Clube Ferroviário, entre 1977 e 1983, inclusive com os títulos estaduais. As conquistas aconteceram por causa do comprometimento do grupo, que entendeu a metodologia e se dedicou ao máximo”, conta Buerger.

 

Para o futuro: esperança

Atualmente Ernani comanda a Fundação Municipal de Esportes em Tubarão. Com o poder que tem nas mãos, sonha em reviver os tempos de ouro do basquete tubaronense. “Ele começa a ressurgir, com várias escolinhas que temos na Fundação. Inclusive contratamos uma técnica para tentar uma vaga nos Jogos Abertos de Santa Catarina na categoria adulto”, diz o secretário. Hoje são dois projetos da Federação Catarinense de Basquete realizados na Cidade Azul, através da prefeitura. “Tenho total e plena convicação de que o basquete de Tubarão começa a ressurgir. Óbvio que é um projeto de médio e longo prazo, é uma nova semente que está surgindo. Mas o basquete vai voltar a ser grande em Tubarão”, conclui e garante Ernani Buerger.

 

O futebol pressiona e interfere no basquete

Mesmo com inúmeras conquistas, o basquete do Ferroviário terminou em 1983. A pressão para que o futebol voltasse ao bairro de Oficinas era imensa. Ignorar o pedido ficou insustentável. “O doutor Wamuth saiu, uma outra gestão assumiu e acabou com o basquete”, lamenta Luiz Ernani Buerger. “Mas é como dizem: o diabo fecha uma porta e Deus abre outra”, comenta. Pouco tempo depois, o treinador assume um novo desafio na carreira. “A Unisul, através do colégio Dehon, me convidou para continuar o trabalho, dessa vez dentro da Universidade. Aí foram anos vitoriosos, principalmente no basquete feminino. Ganhamos todos os títulos possíveis, menos na categoria adulta”, orgulha-se o professor. “Aí, por questões financeiras, a Unisul acabou com o basquete. Cheguei a ir pra Criciúma e lancei uma sementinha. Hoje eles estão indo muito bem, inclusive”, revela.