Principal GERAL Liminar bloqueia R$ 6,6 milhões da conta da Unisul
Liminar bloqueia R$ 6,6 milhões da conta da Unisul

Liminar bloqueia R$ 6,6 milhões da conta da Unisul

0
0

O pedido liminar que bloqueiaR$ 3,6 milhões da conta da Unisul foi determinado pelo juiz da 2ª Vara do Trabalho de Tubarão nesta segunda-feira (21). A ação foi movida pelo Sindicato dos Professores e Auxiliares de Administração Escolar de Tubarão (Sinpaaet) devido ao atraso de salários.

Em outro pedido de liminar, o Sindicato dos Professores no Estado de Santa Catarina (Sinproesc) solicitou a penhora de R$ 10 milhões. A juíza da 12ª Vara da Justiça do Trabalho, Ana Letícia Moreira Rick, acolheu o pedido  parcialmente e decidiu pelo bloqueio de R$ 3 milhões.

Inicialmente o Sinpaaet havia solicitado um bloqueio de R$ 5 milhões por entender que este era o montante que ainda faltava ser pago da folha de pagamento de abril. A proposta apresentada pela Universidade, na última quinta-feira (17), estabelecia que o salário seria pago somente em agosto, porém foi negada pelo Sindicato.

Para presidente do Sinpaaet, Gisele Vargas, “não havia como aceitar a proposta, não há como esperar até agosto para receber o salário de abril. O que os trabalhadores farão com as contas até lá? Estamos falando de uma crise institucional criada pela própria Universidade, e foi neste contexto que o Sinpaaet recorreu ao judiciário, pois não encontrou mais compromisso por parte da Unisul em cumprir com direitos básicos dos trabalhadores, que é o pagamento dos salários em dia”.

O Sindicato dialoga com a Unisul desde 2017, que é quando iniciou os atrasos salariais. De acordo com a presidente, acordos verbais eram realizados, porém nunca cumpridos, com as desculpas da instalação de uma crise econômica na instituição. Um grupo de trabalho, no âmbito da Câmara de Vereadores, foi criado com o objetivo de estudar possibilidades de solução da crise para apresentação para a reitoria e para o Conselho Curador, porém, por ora, nada disso teve êxito.

Com o aumento da crise no Brasil, e sem a tomada de medidas que alterassem profundamente a sua estrutura, a Universidade propôs ao Sinpaaet, em outubro do ano passado, a redução da carga horária e respectivos salários de seus funcionários, em uma medida emergencial. “Esta medida não seria para enfrentar a crise, mas sim para que a Unisul pudesse obter fluxo de caixa, tão somente, e não atrasar os salários nos próximos meses”, explica Gisele.

Em nota, o Sinpaeet declarou, “a Unisul é patrimônio da cidade de Tubarão, sendo a educação estratégica para o desenvolvimento da região em que a Universidade está inserida. Então, tratar a Unisul apenas como uma entidade ‘em crise’ é ser desleal com a sua história, com seus pensadores, com seus estudantes, com os profissionais que formou e com o conjunto de seus trabalhadores. Nós sabemos que a crise pela qual a Universidade atravessa não é de hoje, não é de ontem, ela é estrutural, de gestões, porém são os trabalhadores de hoje que estão pagando pelos erros do passado e do presente e que já deveriam ter sido, há tempos, solucionados”.

Reitor envia carta aos colaboradores 

O reitor da Unisul, Mauri Luiz Heerdt, enviou uma carta aos colaboradores para explicar a situação na instituição. Confira alguns trechos.

“Nossa receita financeira, proveniente da mensalidade dos estudantes, nos últimos meses, foi exatamente de R$ 15.674.591,00 em abril e 16.866.697,00 em março. Ao considerarmos que somente a nossa folha bruta é de mais de R$ 13 milhões, esses recursos certamente não são suficientes para honrar a folha e outras despesas necessárias para manter nossa operação, incluindo passivos jurídicos, pagamento de empréstimos, energia elétrica, planos de saúde e muitos outros.

Equilibrar sustentabilidade financeira e compromisso comunitário pela inclusão social é missão complexa. Nossos recursos provêm das mensalidades dos estudantes. Em 2015, tínhamos 21.137 estudantes pagantes na graduação, hoje temos 16.479 pagantes. Os demais são bolsistas.

Assim que assumimos, em 2017, iniciamos um conjunto estruturado e sistêmico de medidas de economicidade e de produção, com vistas ao equacionamento do fluxo de caixa da universidade. As medidas de economicidade permitiram uma redução aproximada de R$ 1 milhão mensal em gastos com pessoal e mais R$ 1,8 milhão mensal em gastos operacionais. Anualmente, isso representa mais de R$ 33 milhões em economia. Tanto as medidas de economicidade quanto as de produção são realizadas e monitoradas constantemente.”

Foto: Unisul