Principal EDUCAÇÃO Escolas de ensino médio de Tubarão “fogem” do período integral
Escolas de ensino médio de Tubarão “fogem” do período integral

Escolas de ensino médio de Tubarão “fogem” do período integral

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Muitas escolas que funcionam em ensino integral em Santa Catarina têm problemas em relação à estrutura. Praticamente todas estão operando sem a condição prometida pelo governo do Estado no início do programa. Em Tubarão, e na região da Amurel, não há nenhuma unidade escolar contemplada pelo Ensino Médio Integral em Tempo Integral (Emiti).

A coordenadora regional do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado (Sinte), Tânia Fogaça, revela que muitas escolas nem demonstram interesse em aderir o programa. “Quando o governo criou esse programa, a gente sempre defendeu que só teria funcionamento se tivesse cobertura. Porque quando se cria um projeto dessa natureza, eles são jogados e depois a escola, que envolve toda uma comunidade – professores, gestores, pais e alunos – tem que se virar para manter”, relata.

Outro projeto semelhante, o Ensino Médio Inovador (ProEMI), já foi implementado na região. A Gerência Regional de Educação (Gered) possui 20 escolas com ensino médio, sendo que três dessas possuem o programa: EEM Dite Freitas e CEDUP, ambas em Tubarão, e EEE Antônio Knabben, em Gravatal.

Os alunos que participam estudam de manhã e três vezes por semana voltam a tarde também. De acordo com Tânia, o ProEMI, que começou há cerca de quatro anos, não funciona muito bem na prática porque não há recurso para escola funcionar no período vespertino como ocorre no período matutino. “Um exemplo é se o professor trabalha com os estudantes monumentos históricos, então decide fazer uma viagem, um estudo de campo, mas ele não vai ter como levar”, lamenta.

O outro problema enfrentado surge dos próprios estudantes. A maioria, quando apresentado com a opção de estudar a tarde, prefere abrir mão para poder trabalhar. “Ele não quer ficar na escola, no contraturno, se ele já pode assumir alguma função no mercado de trabalho”, explica a coordenadora.

O ideal, para ela, seria o ensino integral no fundamental, mas o governo do Estado é contra. “Os projetos são muito bonitos, mas não são oferecidos com a estrutura certa para poder funcionar adequadamente, por isso a nossa posição é contra. Quando as escolas não se candidatam, é porque já sabem o que vai acontecer. Vai sobrar para eles a manutenção e o funcionamento”, afirma.

Salários seguem sem reajuste

Uma série de visitas têm sido feitas em escolas da região. Nesta segunda-feira (2), representantes do Sinte foram até o colégio João Teixeira Nunes, no bairro Morrotes, em Tubarão. Conforme Tânia, o objetivo é levar o material, alertar a categoria de como está iniciando 2018 e ouvir as reclamações sobre as exigências que o governo faz para o professor oferecer condições.

“Nós estamos apostando na derrubada dos vetos das faltas, projeto que foi para o governo do Estado e o Raimundo Colombo (governador licenciado) vetou. Agora está na Alesc, para derrubar ou não, aí vai depender da mobilização da categoria. A gente tá chamando atenção para isso, e também para nossa questão salarial”, relata.

O aumento do piso, de 6,81%, foi aprovado em dezembro do ano passado, porém só é válido para quem tem ensino médio. Tânia explica que para os demais níveis do magistério, superior, pós-graduação, mestrado, doutorado, não há previsão de reajuste. “Daqui a pouco se continuar aumentando o piso, todo mundo vai ganhar a mesma coisa sem precisar ter muita habilitação. Pela lei que eles aprovaram em 2015, do plano de carreira, nós teríamos sim agora condições de ter no mínimo 10% de reajuste no magistério para 2018”, lembra.

Foto: Divulgação