Principal SEGURANÇA Agressão e ciúme não são sinais de amor, alerta policial
Agressão e ciúme não são sinais de amor, alerta policial

Agressão e ciúme não são sinais de amor, alerta policial

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Quando Ana, 78 anos, hoje aposentada, estava em busca de um amor verdadeiro nos anos 60, seus pais obrigaram a casar com um vizinho, que ela nem gostava. Saiu da escola, bordou as toalhas de louças, separou suas roupas e chorou dois meses antes do casamento. Sofreu muito com os empurrões, beliscões e dinheiro contado. Depois de 25 anos de casados, ele fugiu com outra. Ana deu graças adeus.

Nesta terça-feira (13), ela descobriu que a vida sofrida não era destino, e sim violência doméstica, no evento de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, com a unidade móvel de atendimento  “Ônibus Lilás”, na comunidade Ponta da Barra. Em Laguna, de janeiro de 2017 até março deste ano, 192 mulheres ligaram para a Polícia Militar (PM) para pedir ajuda.

Ana ouviu do responsável pela Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) em Laguna, Franco Gomes, sobre as denúncias, sigilo e o medo que imobiliza a mulher, quando permanece em uma relação violenta.

A psicóloga Michela Vargas Flores, do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), explicou sobre os tipos de violência: a psicológica (quando o agressor humilha, insulta, ameaça, persegue e isola), também a física (quando empurra, chuta, amarra, bate e violenta). Controlar o dinheiro também é um tipo de violência, pois a mulher torna-se dependente dele.

A polícial militar Vanessa Isidoro encorajou as mulheres sobre o ato de denunciar. “A mulher não merece passar por isso”, definiu. Nos 192 casos atendidos pela PM de Laguna, 86 homens foram presos quando os soldados chegaram. Uma mulher com os olhos inchados de tanto apanhar, sem conseguir enxergar, é a cena que Vanessa não consegue esquecer. “Uma surra, ou ciúme doentio não são sinais de amor. Muitas pensam que é, acreditam nisso”, disse.

A secretária de Assistência Social, Maria de Fátima Duarte, lembrou que Santa Catarina é o quarto estado no Brasil com mais casos de violência contra a mulher. “As mulheres estão denunciando mais e mais. Não estão ficando mais caladas”, esclareceu ela sobre os números. O evento serviu para aproximar os profissionais que atendem estes casos em Laguna com as mulheres do interior, da região de Ilhas.

Alunos do Instituto Mix fizeram os cabelos e sobrancelhas das mulheres. O Sesc levou exercício físicos e brincadeiras para os pequenos. Técnicas da Secretaria de Saúde realizaram verificação de pressão e peso das participantes.
Onde denunciar ?
 Central de Atendimento a Mulher: 180
 Polícia Civil: 181
 Polícia Militar: 190
Onde fica a delegacia da Mulher ?
 Travessa Maestro Francisco Pestana, 86
(48) 3646-0469
(referência: entrada da cidade nas proximidades do portal turístico, na SC 436.
Onde fica o Creas ?
Centro de Referência Especializado em Assistência Social, na rua Rio Branco, no centro histórico. Telefone: 3644-2049 (referência: nas proximidades da Secretaria de Educação e subida para a Fonte da Carioca)
Foto: Divulgação