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Mesa redonda debate empoderamento feminino em Tubarão

Mesa redonda debate empoderamento feminino em Tubarão

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Os desafios da mulher no mercado de trabalho foram tema de uma mesa redonda realizada ontem (7) no Campus Tubarão do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Mulheres tubaronenses contaram suas trajetórias, os obstáculos encontrados e o que fizeram para superá-los.

A atividade marcou o Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta quinta, dia 8 de março. Participaram da conversa Erika Beckerm, Edith Cechella, Eliete Nunes, Consuelo Sielski, Aleida Cardoso e Pethyne Lystennrockbacks.

“Nossa proposta era trazer para o Campus mulheres bem sucedidas, não só para discutir as dificuldades, mas mostrar que as mulheres estão ocupando seu espaço, apesar de ainda existir desigualdade. Foi um evento importante para o IFSC e para alunos e alunas, que puderam compreender que várias pessoas que são bem sucedidas hoje também passaram por dificuldades”, explica Rosiana Andreolla, integrante da Comissão.

Há seis anos proprietária de uma mecânica, Erika Becker é também aluna do curso superior de Análise e Desenvolvimento de Sistemas do IFSC. Ela compartilhou sua experiência como microempresária e as dificuldades que as exigências da vida profissional impõem à vida familiar.

Proprietária de uma perfumaria fundada em 1970, Edite Cechella deu seu relato de perseverança: viúva, teve que reconstruir a Santo Anjo do zero após a enchente de 1974. “Naquele tempo era diferente, todo mundo aceitava. Eu ia para São Paulo, fazia compra, voltava, botava preço. Hoje está mais organizado, tem um comprador, administrador, financeiro, uma pessoa para cada função. Dificuldade a gente teve, mas foi superado”, relatou Edite.

Já Eliete Nunes, proprietária de uma academia inaugurada nos anos 90, falou sobre sua trajetória, ressaltando a importância da educação como plataforma fundamental para aproveitar oportunidades. De acordo com ela, a decisão por empreender surgiu após seu antigo chefe tentar diminuir sua carga de trabalho, passando metade para outra funcionária.

Aleida Cardoso, militante do movimento negro, pós-graduada em Literatura Brasileira e Gênero e Diversidade na Escola, falou sobre os desafios de ser mulher negra na sociedade. “Ainda falta representatividade na mídia e em divulgações. Quando um órgão de saúde faz um panfleto sobre câncer de mama, por exemplo, nunca tem uma mulher negra na capa. Por isso que nós somos acometidas mais por essa doença”, apontou. Para ela, a sociedade ainda há uma desigualdade no tratamento, tanto racial, quanto social.

Diretora do Câmpus Tubarão e ex-reitora do IFSC, Consuelo Sielski também deu seu depoimento. Ela foi a primeira mulher a se tornar reitoria da então Escola Técnica Federal, em Florianópolis. “Quando fui eleita, havia desconfiança pelo fato de ser mulher em cargo de liderança em um ambiente extremamente masculino como as Escolas Técnicas. Felizmente essa desconfiança foi superada”, destacou.

A mesa redonda também contou com a participação de Pethyne Lystennrockbacks, artista trans que, recentemente, participou do projeto Mulheres Sim no IFSC Câmpus Tubarão. Pethyne relatou sua luta por fazer parte de três minorias: transexual, negra e da periferia. Mesmo sofrendo dentro e fora de casa, a professora de dança relatou como superou todas as dificuldades e hoje é ativista, casada e bem sucedida.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o 8 de março como Dia Internacional da Mulher com o objetivo lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas.

Foto: Angela Cechella