Principal ENTREVISTA De volta às quadras: o retorno de Acco ao futsal tubaronense
De volta às quadras: o retorno de Acco ao futsal tubaronense

De volta às quadras: o retorno de Acco ao futsal tubaronense

0
0

José Acco Júnior | professor universitário e técnico das categorias sub-17 e sub-20 da Associação Desportiva do Futsal Tubaronense (ADFT)

O senhor retorna para o projeto da ADFT, após anos fora, agora como técnico de categorias de base. Como surgiu o convite?

Tínhamos o professor Tiago Lock Silveira desde 2013 à frente das equipes sub 17, sub 20, Jesc e dos Joguinhos Abertos de SC. Em função de sua saída para ser preparador físico e auxiliar técnico em uma equipe chinesa, comandada pelo ex-técnico da seleção brasileira de futsal Marcos Soratto (conhecido como Pipoca), houve a necessidade de contratar um novo profissional para dar continuidade ao excelente trabalho que vinha sendo realizado. Em função desta necessidade, o presidente Eduardo Rigotti me fez o convite e resolvi retornar às quadras colocando meu conhecimento e comprometimento a serviço do futsal de nossa cidade, coisa que fiz desde minha chegada em 2003.

Como está a sua motivação para o “novo” desafio?

Apesar de voltar a desempenhar uma função que fiz por mais de 20 anos, confesso que estou bastante motivado. Em primeiro lugar por acreditar que podemos dar continuidade a este projeto de formação esportiva que ajudei a iniciar em 2005 com a criação da ADFT (juntamente com o professor Batista Costa, professor Moacir Juncklaus, Edson Martins e Sandro Mauricio). Em segundo lugar por gostar desta modalidade e acreditar que podemos transformar a vida dos jovens através do esporte. Sem dúvidas o esporte é um grande instrumento de inclusão e transformação social. Falo isso por experiência própria, pois a maioria dos atletas que formamos naquele projeto iniciado em 2003 (primeiramente dentro da Unisul e depois assumido pela ADFT), quem não se tornou atleta “profissional” no futsal teve a oportunidade de estudar na Universidade e ter uma profissão atualmente. Mesmo os que não fizeram um curso superior levam consigo os valores, atitudes e modos de comportamento que foram trabalhados e vivenciados nos treinamentos e competições que participamos.

Esse período à frente da Fundação Municipal de Esportes lhe fortaleceu para que o trabalho seja melhor desempenhado?

Gostaria de inverter esta ordem para depois responder a questão. O trabalho à frente das equipes de futsal que comandei aqui em Tubarão me deram a segurança e o entendimento do que seria necessário fazer para o crescimento e desenvolvimento do esporte em nosso município, bem como de um maior investimento financeiro no esporte, que foram as bandeiras que levantamos quando assumimos a Fundação Municipal de Esportes. Desta forma, acredito que a passagem pela presidência da FME vai contribuir também para agregar mais pessoas ao projeto. Gostaria de ressaltar que apesar de estar fora das quadras há 5 anos mantive-me atualizado, pois continuo como professor da disciplina de Técnico Esportivo em Futebol e Futsal no Curso de Educação Física da Unisul e também coordenei um curso de pós-graduação em Futsal (2015/2017) também na Unisul.

Qual a sua avaliação sobre todo o projeto desempenhado pela ADFT em Tubarão?

Considero bastante positivos os resultados de formação e de conquistas de títulos. Sou adepto a linha de pensamento de que devemos trabalhar com objetivos claros e possíveis de serem alcançados e que eles devem ser definidos pelos envolvidos no projeto. Como objetivo primário, considero que devemos dotar os jovens atletas de conhecimentos e habilidades (competências esportivas) para que possam compor o elenco de uma equipe adulta. Como objetivo secundário, buscar títulos e conquistas no cenário regional, estadual e nacional. Como isto tem acontecido ao longo dos últimos 10 anos, sempre revelando novos atletas e conquistando vários títulos, reafirmo minha avaliação bastante positiva sobre a ADFT, atendendo aos objetivos propostos.

Como é treinar uma equipe de base? Quais são as principais diferenças em relação a um grupo principal, por exemplo?

Trabalhar com equipes de base exige um planejamento a médio e longo prazo. Trabalhar com crianças e jovens requer tempo, pois eles vão fazer coisas inerentes à faixa etária que eles se encontram e não podemos atropelar estas fases. Precisamos conhecer dos processos de crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes. Precisamos usar uma metodologia adequada a cada faixa etária e aplicar atividades técnicas, táticas, físicas e psicológicas que respeitem as individualidades. Assim teremos maior probabilidade de alcançar os objetivos traçados. Considero como a principal diferença do trabalho na base para uma equipe adulta ou principal a necessidade de entender que os resultados não se conseguem a curto prazo, o processo é lento e requer paciência e entendimento das dificuldades e também das potencialidades que estarão nesta caminhada.

Tradicionalmente a ADFT utiliza atletas da base na categoria principal. Vocês têm alguma meta para 2018 em relação a novos potenciais?

A continuidade do trabalho será mantida, desta forma buscaremos, ao final do ano, que alguns dos atletas estejam em condições de fazer parte do grupo adulto ou principal no ano que vem. Com a experiência adquirida nas diversas competições que participaram nos últimos anos, vejo este grupo atual e mais alguns atletas que irão se incorporar através desta peneira, com totais condições de evoluir ainda mais e também de aspirar um lugar no plantel da equipe adulta em 2019.

E sobre resultados? O que almejar em 2018?

Vamos traçar os objetivos com a diretoria da ADFT, mas adianto que buscaremos manter os bons resultados de 2017 e também melhorar naquelas competições que não fomos tão bem, como é o caso da Olesc e dos Joguinhos Abertos de SC, onde vamos buscar classificação para a fase estadual e brigar por medalhas.

Talvez o primeiro passo seja a peneira, que acontece nesta sexta-feira, dia 16. Como vai funcionar e o que vocês esperam em relação aos candidatos?

Nós já temos equipes nestas faixas etárias que teremos a peneira, mas como nosso projeto tem abrangência regional resolvemos fazer essa seletiva para dar oportunidade aos jovens atletas que sonham em jogar futsal em uma equipe que é referência no Estado em formação de atletas. Às 14h teremos as inscrições e o preenchimento dos dados pessoais de cada participante. Após, eles serão divididos em grupos de acordo com as faixas etárias definidas (nascidos em 2000, 2001 e 2002). Depois iremos avaliá-los em vários aspectos, principalmente a parte da técnica individual (domínio dos fundamentos do futsal) e alguns aspectos da parte tática (marcação, cobertura, movimentação com e sem a bola, transições ofensivas e defensivas, entre outros), utilizando jogos em quadra reduzida. Aqueles que se destacarem, serão selecionados para uma nova rodada de jogos com ênfase na compreensão do jogo, onde a parte cognitiva (da inteligência tática) já será o ponto principal a ser analisado. Tudo isso será acompanhado por profissionais que estão atuando na ADFT e profissionais colaboradores que se disponibilizaram em participar voluntariamente. Esperamos com isso montar nossas equipes com atletas aqui de Tubarão e também da nossa região, que apresentem como principais características a vontade de vencer e a dedicação que o esporte exige, consolidando ainda mais o nome da ADFT e do futsal tubaronense no cenário estadual e nacional.

Foto: Divulgação