Principal ENTREVISTA Os desafios do vice-prefeito e secretário de Gestão de Tubarão
Os desafios do vice-prefeito e secretário de Gestão de Tubarão

Os desafios do vice-prefeito e secretário de Gestão de Tubarão

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O senhor foi eleito para ser vice-prefeito, mas aceitou o desafio de comandar a secretaria de Gestão. O interesse em sair da pasta já existe há alguns meses. Por que não continuar?

A eleição nos colocou na condição de vice-prefeito, que é um cargo de expectativa. Atendendo um pedido do prefeito, eu manifestei no início do mandato que eu poderia colaborar por algum tempo, durante seis meses, que foram prolongados e viraram um ano. Agora chegamos a um ano eleitoral e isso exige de mim um pouco mais de participação na vida partidária e de apoio a alguns candidatos. Estou conversando muito com o prefeito Joares Ponticelli (PP). Mas se houver um pedido de continuidade eu vou atender e continuar essa missão. É uma missão árdua, mas gratificante ao mesmo tempo.

A estrutura financeira e física oferecida para coordenar uma das pastas mais importantes do governo é boa?

É longe da ideal considerando que nós vivemos um momento de muita dificuldade no quesito financeiro. As receitas que chegam do Estado e da União despencam mês a mês. É um desafio manter um equilíbrio dos pagamentos e da aplicação em saúde e educação, por exemplo. Mas passamos bem o ano de 2017 graças a um aperto fiscal. As condições físicas também deixam muito a desejar, pois a prefeitura é muito espalhada pelo município. Aqui na própria sede do Paço Municipal existe uma falta de integração entre as casas e isso atrapalha muito. Por isso estamos trabalhando para termos um novo Centro Administrativo, sofisticado e moderno.

Quais as principais vitórias que você considera durante o pouco mais de um ano à frente da secretaria?

O enfrentamento da questão dos passivos do Município é uma grande conquista. Externar as condições que nós recebemos é importante, para mostrar o tamanho da dificuldade que nós temos. A renegociação das dívidas junto ao INSS, através do Refis, nos possibilitou uma redução de quase R$ 20 milhões do nosso montante. Também enfrentamos uma série de processos internos que tínhamos dentro da prefeitura – vale alimentação por exemplo. Contratamos o CIEE para ajudar todos os casos de estágios e colocação. A questão do regime único foi algo polêmico, mas necessário. Os servidores eram tratados de forma diferente. Além disso, a questão do protocolo eletrônico, da modernização de uma série de processos, eu penso que foi muito positivo e a prefeitura tá avançando muito nesse quesito de Gestão. Lembro ainda da questão do almoxarifado, que já está funcionando. Nós queremos levar pra lá ainda esse ano a Saúde e toda a gestão, para facilitar o controle, fiscalização e aproveitamento dos recursos públicos.

E as frustrações? Quais foram?

O estacionamento rotativo, que é uma necessidade há muito tempo, é uma frustração. Tentamos implementar no início do mandato através de um contrato emergencial, mas houve resistência através de alguns segmentos. Nós recuamos e entendemos que era necessário um melhor debate. Ainda estamos trabalhando nisso. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) nos exigiu mais uma série de documentos e estamos providenciando um estudo de viabilidade do estacionamento rotativo. Queremos vencer essa etapa ainda esse ano. A outra frustração, sem dúvida, fica por conta da questão da Passarela, que por uma inviabilidade técnica tivemos que recuar. Mas não desistimos dela.

Você considera que o servidor da prefeitura de Tubarão é feliz com as condições de trabalho oferecidas e a remuneração praticada?

A felicidade é uma coisa subjetiva. Eu imagino que a prefeitura tem muitas distorções salariais e de condições de trabalho. Nós temos que enfrentar isso, sim. As distorções acontecem por concessões do passado, que fizeram com que alguns servidores tivessem salários de alto nível e enquanto a maioria ficou no piso salarial muito baixo. Mas nesse momento não temos condições financeiras pra melhorar. Estamos trabalhando para melhorar o ambiente de trabalho e, quem sabe, com a melhora do quadro financeiro brasileira a gente possa corrigir, ponto a ponto, cada categoria que tem defasagem. Assim a gente consegue fazer mais justiça social nesse quesito.

O ano reserva eleições e em nível estadual PP e PSD podem não estar juntos no pleito da majoritária. Como isso pode afetar a relação de governo em Tubarão?

De maneira nenhuma. Nós temos um compromisso entre os membros do governo, principalmente entre eu e o prefeito, de que tudo que não pode acontecer é as eleições atrapalharem o Município. Já ficamos muito tempo para trás e temos muitas demandas que precisam ser resolvidas. Tudo que a população espera da gente é que uma discussão eleitoral não nos atrapalhe. Temos que ter maturidade para passar por essa etapa e acreditar que os partidos estejam juntos.

Por falar em eleições, seu nome é sempre lembrado como possível candidato de sua sigla ao cargo de deputado, tanto estadual, quanto federal. Sua saída da secretaria é dada como certa. Você quer ser candidato, Caio?

Eu não tenho essa ambição nesse momento. O partido que eu faço parte já tem as suas indicações definidas. Aqui temos o Júlio Garcia (estadual) e o Ricardo Guidi (federal). Eu me coloco à disposição. Fui lembrado e sou muito agradecido por isso pois é um reconhecimento. Mas, nesse momento, eu não tenho essa ambição. Porém vou colaborar em nível de coordenação e liderança desse processo para ajudar nosso partido.

Qual caminho você considera ideal para o seu partido, em nível estadual, em relação a posicionamento visando as eleições de outubro?

Eu acredito que o melhor caminho para o PSD e que respeita a vontade das bases é a aliança com o PSDB, PP e PSB. Essa aliança já está sendo desenhada há bastante tempo pelo deputado Gelson Merísio. Esse é o projeto que ambiciono, por entender que esse é o melhor caminho para Santa Catarina nesse momento.

Em em nível federal? Os mais escolhidos nas pesquisas são Lula (PT – esquerda) e Jair Bolsonaro (direita). Você gosta de algum desses nomes ou pensa em algum outro?

Eu, particularmente, não votaria em nenhum deles. Não vou descartar voto, porque não voto nulo. Mas penso que o país precisa de uma candidatura de equlíbrio, voltada à questão econômica do Brasil, que é a mãe e matriz de todas as demais polêmicas que nós temos. Temos vários problemas em diversas áreas e isso se resolve com um país equilibrado. Por isso penso que o meu voto ficaria entre uma candidatura de Henrique Meirelles ou do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Caio Tokarski pretende ser prefeito de Tubarão algum dia?

Já fui por 14 dias e toda pessoa que está na militância política almeja ocupar cargos. Evidente que comigo não é diferente. Eu tenho, sim, esse projeto e me preparo todo dia para que eu possa estar bem condicionado, preparado, equilibrado, para que o dia que esse momento vier acontece eu esteja pronto. Não tenho pressa, pois sei que a política tem um ciclo. Se ele vier a acontecer eu espero representar bem essa cidade que tão bem me acolheu e tudo me deu ao longo da minha trajetória.

Foto: Marcelo Becker/Decom/PMT